Quero ver você – disse ele ofegante. – Quero ver você sentir… Linda se olhando no espelho e tentando resistir ao meu amor…
2008/08/24
cristianeharttman
Ele adentrou no seu quarto enquanto ela falava ao telefone e tomava uma xícara de café. Desligou e olhou para ele, parada na porta, ao mesmo tempo em que desabotoava o casaco. Inalava a cafeína como se fosse ar.
O casaco caiu no chão e ela viu que ele não usava nada por baixo, a não ser uma pulseira de ouro cravejada com brilhantes e eu sapatos de salto alto e lingerie apenas.
- Perfeita!! Você é perfeita!, disse ele.
Ela olhou ao redor. Inclinou a cabeça para o lado. Ele descobriu que era possível falar, mesmo com o coração ameaçando sair pela boca.
Ele a possuiu. Com as mãos rápidas e ansiosas, lábios irriquietos, tomou o que ela oferecia. Deu o que ela pedia. E desespero era o que ela queria, aquele impulso incontrolável de necessidade, ainda mais perigoso por ser primitivo.
Ela viera nua e sem qualquer embaraço para despertar o animal que havia dentro dele.
E ele foi rude, os movimentos precipitados aumentando ainda mais o excitamento.
Não havia qualquer controle agora, nem a necessidade de que houvesse. E ela perdeu-se por completo no encantamento de luxúria que ela própria criara.
Ele empurrou-a contra a parede, regalou-se em sua garganta, sugou o intenso gosto sexual de uma carne de mulher perfumada.
Enquanto as mãos a percorriam toda, apertavam, ansiosas pelas curvas, as saliências, os segredos de mulher. Quentes, úmidos, vibrantes.
Os dedos deslizaram por ela, levando-a a loucura.
No mesmo instante em que sentiu o corpo dela estremecer, em que sentiu a violência do orgasmo sacudi-la, ele fitou-a nos olhos e teve a impressão de divisar lá no fundo o brilho do triunfo.
Ele poderia ser capaz de recuar nesse momento, desanuviar o suficiente a cabeça para recuperar a astúcia. Mas ela se mexeu contra seu corpo, num movimento lento e irresistível, os braços enlaçando-o, como se fossem correntes revestidas de veludo.
- Eu quero mais!, murmurou ela. Quero que me dê e receba mais. Aqui mesmo. – Ela cravou os dentes no lábio dele, enquanto acrescentava: – Agora!!
Se fosse uma feiticeira murmurando o mais sinistro dos encantamentos, ele não ficaria mais enfeitiçado. Seria capaz de jurar que sentiu o cheiro do fogo do inferno, enquanto a boca dela tornava a capturar a sua.
E depois houve loucura, febril e gloriosa. Em seu triunfo, ela descobriu o prazer selvagem, a satisfação impregnada de terror de estar com um homem desvairado. E permitir isso. Ansiar por isso.
O sangue dela fervia com tanta intensidade quanto o dele; suas mãos disparavam, tão prementes e rudes quanto as mãos que percorriam todo o seu corpo.
Ela rasgou a camisa dele, adorando o som áspero do algodão se rompendo na costura.
E seus dentes se cravaram no ombro dele, quando foi outra vez levada ao orgasmo. As unhas dela penetravam nas costas dele… A pulsação era como um tambor, um troar primitivo em suas cabeças. E ele mergulhou nela, ali mesmo, sôfrego, sorvendo seu grito trêmulo. Cada arremetida era como mais um passo na corda bamba, estendida entre o céu e o inferno. Qualquer que fosse o lado para que caíssem, não poderia ser evitado. Como sabia disso, ele puxou a cabeça dela para trás, segurando seus cabelos, os olhos fixados em seu rosto.
- Quero ver você – disse ele ofegante. – Quero ver você sentir… Linda se olhando no espelho e tentando resistir ao meu amor…
E ela caiu da corda bamba, arrastando-o na queda. E, voando em sua companhia, ele não se importou nem um pouco com o lugar em que poderiam cair.
Ele a levou para cama e entregou à ela uma taça de vinho branco. Ela pegou e tomou um gole delicado. Passou os dedos pelo rosto dele, depois pela boca, aproximou-se e deu-lhe um beijo demorado, embriagando-o novamente…
0:56 | 27 de agosto
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